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Ecologicamente Rentável | Publicado no jornal
ESTADO DE MINAS - Setembro de 2008
No momento em que o mundo volta os olhos para a
degradação ambiental e coloca em evidência a salvação do planeta,
projetos e atitudes sinalizam a luz no fim do túnel. Melhor: podem
transformar a proteção ao meio ambiente em algo altamente rentável,
gerando empregos e livrando a natureza dos resíduos produzidos pela
industrialização e consumo.
Os negócios envolvendo soluções
ambientais cresceram na mesma proporção da consciência ecológica da
população.
O que há até bem pouco era visto como empecilho ao desenvolvimento, muda
de paradigma e demonstra que meio ambiente e crescimento podem andar
juntos.
São inúmeras as opções de
investimento neste setor. A intermediação foi escolha do pós-graduado em
gestão ambiental no Instituto de Educação Tecnológica (Ietec) Antônio
Cláudio Oliveira e de Robson Faria Barros, sócios na R Infor- soluções
em resíduos orgânicos, de Betim. Eles montaram a empresa que atua como
intermediária entre os geradores de resíduos e aquelas que tratam,
reciclam, recuperam ou neutralizam. Cabe à R Infor a parte comercial e
logística.
Com tecnologia genuinamente
mineira, a Recóleo – Coleta e Reciclagem de Óleo Vegetal, dos
empresários Nívea Freitas (foto) e Roberto Menicucci, inovou na coleta e
processamento de óleo de cozinha saturado, que, reciclado, fornece
matéria-prima às indústrias de produtos de limpeza, ração animal e
biodísel. Depois de quatro anos de pesquisa, auxiliados por técnicos e
cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), montaram a
empresa que hoje oferece franquia em todo o estado e se prepara para
autorizar o funcionamento da unidade em Campinas (SP).
Os franqueados, como Inês
Valadares, de Sete Lagoas, garantem que o retorno financeiro do
investimento de R$70 mil veio em três meses. A coleta, que no início da
Recóleo era de 780 litros por mês, hoje evita fique 60 mil litros de
óleos/mês sejam dispensados, por cozinhas industriais e restaurantes, em
rios e aterros.
DA COZINHA PARA CÓRREGOS E RIOS
O alto poder de poluição do óleo de cozinha é atestado
por pesquisas de órgãos e entidades ambientais. De acordo com a
assessoria da Secretaria de Estado e Meio Ambiente, cada litro de óleo
derramado degrada um milhão de litros de água. Segundo a Sabesp,
companhia de saneamento de São Paulo, essa quantidade corresponde ao
consumo de uma pessoa, durante 14 anos.
Pensando em montar um negócio
inédito, que unisse a necessidade de sobrevivência a questões
socioambientais, os empresários Nívea Sueli de Freitas e Roberto
Menicucci decidiram apostar na coleta de óleo de cozinha saturado.
Criaram a Recóleo- Coleta e Reciclagem de Óleos Vegetais, uma empresa
com licenciamento ambiental que coleta e recicla óleos de frituras.
Ex-fabricantes de cachaça, os contatos com bares, hotéis, motéis e
restaurantes facilitaram a instalação de pontos de coleta do produto,
que geralmente era jogado no lixo ou no esgoto.
Representantes da empresa
distribuem recipientes plásticos de 25 e 50 litros nesses
estabelecimentos. Eles são recolhidos periodicamente, dependendo da
demanda. Fiorino e triciclos adaptados, de forma a garantir segurança
para evitar que o óleo vaze ou se espalhe em caso de acidentes, foram
criados pelos próprios empreendedores. O recolhimento, em Belo
Horizonte, está em torno de 60 mil litros mensais. Aos grandes
fornecedores o pagamento é feito parte em dinheiro e parte em produtos
de limpeza, devidamente licenciados e com a marca Recóleo.
Foi um ano e meio de pesquisas e
contatos, inclusive dom fabricantes de biodísel caseiro, nos Estados
Unidos. Quando lançaram a idéia, os amigos consideraram “loucura”. Não
havia qualquer tecnologia para o setor no Brasil e os estudos eram
incipientes. Durante quatro anos eles fabricaram os próprios
equipamentos: adaptaram, testaram e experimentaram muitos erros e
acertos. O investimento inicial foi de R$50 mil.
“Somos os primeiros em Minas
Gerais a adotar o sistema de filtragem- geralmente são usadas
centrífugas”, explica Nívea Sueli. As partículas são retiradas e
destinadas ao aterro sanitário, mas já há estudos para prensagem desse
refugo, que será reutilizado como combustível nas caldeiras da própria
empresa.
Os sócios contam com a parceria
da UFMG e CETEC, que atestam a qualidade do óleo e orientam na condução
da empresa ecologicamente correta. Juntamente com o CETEC, desenvolvem
processo de fabricação de biocombustíveis e incrementam os contatos de
compradores do produto.
O negócio cresceu tanto que foi
lançado o sistema de franquias, que já se estende a 17 municípios
próximos a Belo Horizonte, além de um contrato em Campinas-SP, prestes a
ser concluído. Eles oferecem todo o equipamento, treinam e capacitam os
gestores e funcionários, dão suporte comercial e logística de
recolhimento.
O custo de uma franquia sai em
torno de R$70 mil. É preciso ter um escritório, internet, maquinário e
equipamentos. O retorno pode se dar em quatro meses. Em Divinópolis,
segundo os proprietários da Recóleo, o retorno foi de três meses: ”Eles
começaram em janeiro e em três meses já estavam pagando os investimentos
e obtendo lucro”.
Franquia:
Inês Valadares trabalhava no mercado da moda e produtos artesanais, em
Sete Lagoas, Região central de Minas. Quando soube que os amigos
montariam uma empresa de coleta de óleos de cozinha, achou uma loucura.
Ao chegarem os primeiros resultados, começou a perceber a função
socioambiental do projeto resolveu investir: “Mudei do saturado mercado
da moda para o óleo saturado”.
Inês está empolgada com os
resultados. Em poucos meses de atuação nesse mercado, já conseguiu pagar
todas as despesas de investimento, franquia, aluguel e vasilhame: “Pago
agora o investimento no carro específico para coleta”.
Em Sete Lagoas, ela recolhe o
óleo de 85 restaurantes e agora investe na coleta domiciliar, que está
sendo incrementada em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL)
local: “Trata-se de uma entidade séria e reconhecida no meio
empresarial”. É feita uma abordagem nas empresas, que convencem seus
funcionários a levar uma o óleo de suas casas para uma coletora
instalada no local de trabalho. A empresa recebe em troca os produtos de
limpeza e o óleo, que antes era jogado na pia da cozinha, tem outra
destinação.
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