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Óleo de Cozinha usado pode garantir renda |
Publicado no jornal Hoje em Dia - Nov/07
O óleo de cozinha usado, que hoje tem destino incerto
na maioria das casas e em boa parte dos restaurantes e lanchonetes
poderá gerar renda e emprego em Belo Horizonte. Várias iniciativas
surgem do reaproveitamento do produto, gerando biocombustível e
matéria-prima para fabricação de ração animal ou sabão. Na região
noroeste da capital, a Recóleo negocia, com a associação comunitária do
Jardim Alvorada, a coleta seletiva do óleo de cozinha. A empresa
compraria o produto entregue pelos moradores, e a renda seria revertida
para obras na comunidade. A meta é levar o projeto para outras entidades
semelhantes.
Outra idéia que começa a ganhar
forma tem o interesse de uma grande rede de supermercados. Consumidores
que entregassem uma lata cheia de óleo usado teriam desconto na compra
de uma nova. A Recóleo arremataria o que fosse arrecadado. Os dois
projetos devem ser definidos em 2008.
Todo o movimento em torno do
reaproveitamento do óleo de cozinha começou a chamar atenção neste ano,
com a atuação do Comitê Municipal de Mudanças Climáticas, em que o
assunto é discutido, e da Câmara Municipal, que tem projeto de lei
propondo a criação da Política Municipal de Tratamento e Reciclagem de
Óleos e Gorduras de Origem Vegetal ou Animal.
A estimativa baseada em estudos
nacionais e internacionais, é a de que cada cidadão descarte diariamente
meio litro de óleo usado. Em Belo Horizonte, isso representaria cerca
cerca de 1,2 milhões de litros diários jogados no meio ambiente. Como
não há normatização para a coleta do produto, muitos cidadãos e
estabelecimentos comerciais despejam-no em pias, boca-de-lobo e bueiros,
ajudando a entupir esgotos e sistemas de drenagem, além de poluir
córregos e rios.
Uma forma comum encontrada por
muitas donas de casa, diante da falta de opções, é encher PET e
colocá-las para o caminhão da coleta de lixo domiciliar levar para
aterros sanitários. A medida se por um lado evita a contaminação das
redes de drenagens de cursos d’água, continua gerando problema
ambiental, ao impedir a reciclagem da garrafa PET- que fica contaminada
e não pode ser aproveitada com esse objetivo – e do próprio óleo.
A dona de casa Teresinha Furst
Teixeira, 64 anos, moradora de um condomínio no bairro Santo Antônio, na
região Centro-Sul, alega que, após fritar os alimentos, despeja o óleo
em garrafas e as coloca na porta do apartamento para uma faxineira
recolher e fazer sabão. Segundo ela, quase todos os moradores fazem o
mesmo.
O sócio-proprietário da Recóleo,
Roberto Menicucci, orienta as donas de casa a utilizarem a mesma
embalagem do óleo para descartá-lo, evitando assim desperdiçar garrafas
PET. A Recóleo faz a coleta em cerca de 500 restaurantes e bares em Belo
Horizonte. A empresa deixa uma bombona (um tipo de tambor de plástico)
no local e a recolhe periodicamente. Na sua sede, o óleo é filtrado e
tratado. Testes de qualidade são realizados antes da venda desse produto
para indústrias, que podem utilizá-lo na fabricação de ração animal,
sabão e biocombustível.
CÂMARA
ESTUDA REGULAMENTAÇÃO
O mercado para óleo de cozinha usado
existe e tende a crescer, à medida que coletas forem sistematizadas. A
vereadora Luzia Ferreira (PPS), que lidera um grupo de estudos sobre o
reaproveitamento do produto na Câmara Municipal de Belo Horizonte,
afirma quw empresas já manifestam interesse em comprar o produto usado,
pagando em média R$0,40 por litro. Mas a parlamentar ressalta que não há
normatização ou legislação que oriente estabelecimentos comerciais e a
população sobre como descartar e reaproveitar o óleo que não serve mais
para a alimentação.
Luzia Ferreira afirma que o poder
público precisa criar pontos de recebimento em várias regiões da cidade,
buscar parcerias com redes de supermercados e fazer campanhas
educativas. O segundo passo seria proibir o despejo do óleo no esgoto e
nas drenagens pluviais. Tudo isso deve conter no projeto de lei
1.833/07, de autoria do vereador Paulo Lamac (PT) conjuntamente com
outros 20 parlamentares, que está pronto para ser votado em primeiro
turno.
Bióloga de formação, Luzia
Ferreira afirma que o óleo causa um grave problema ambiental quando em
contato com cursos d’água. O produto gera uma camada na superfície,
impedindo a oxigenação da água e a penetração de luz, provocando a morte
de plantas aquáticas e de peixes.
Os estabelecimentos filiados à
associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) destinam o óleo
utilizado no preparo de alimentos de várias formas, todas corretas,
conforme afirma o gerente de relacionamento da entidade em Minas Gerais,
Lucas Pêgo Oliveira Pereira. “Nossos filiados têm um perfil de qualidade
maior. Eles já têm pensamento ambientalmente responsável. Muitos doam
para próprios funcionários fazerem sabão e outros utilizam as bombonas
da Recóleo”, assegura. As premissas da gestão de resíduos da entidade
constam do projeto Papa Óleo.
A economista Claudia Monteiro
Rocha elaborou um projeto de pós-graduação em Tecnologia Ambiental na
universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o objetivo de criar,
nos aterros sanitários, usinas de transformação de óleo de cozinha em
biodísel, empregando associações de catadores. Pela sua proposta, o
equipamento ainda seria movido por energia retirada do gás metano gerado
na decomposição do lixo dos aterros. Já o biodísel poderia ser
aproveitado na frota de veículos do serviço público. Há estudos que
apontam a obtenção de 800 mililitros de biocombustível para cada litro
de óleo.
A tecnologia das usinas de
transformação é disponível, mas o grande entrave atualmente é a falta de
coleta do óleo usado. “Estamos na fase de colocar o processo em
aprovação, para que o recolhimento seja compulsório” afirma Claudia
Rocha.
SABÃO
Quem não sabe o que fazer com o
óleo de cozinha usado em casa pode experimentar a fabricação de sabão,
de maneira simples e barata. Os ingredientes são 5 litros de óleo usado
coado, 1 copo americano de fubá, 500 mililitros de detergente líquido de
coco, 1 litro de soda cáustica líquida e 1 litro de água fervente. O
preparo deve ser em um balde de plástico. O óleo é coado é colocado
junto com o fubá, detergente e soda cáustica. È preciso mexer bem.
Depois de misturados, acrescenta-se a água fervente, mexendo por 40
minutos sem parar. A massa deve ser colocada em uma forma, descansando
por 10 dias até endurecer. Se colocado em recipiente único, os cortes no
formato desejado devem ser feitos antes de a barra endurecer
completamente. |